Sou da Província de Minas Gerais Aqui, dos vales de Ouro Preto, Sou da Província de Minas Gerais
Onde as lavras
De ouro explorado por mãos
Negras-escravas
Ornava as coroas e palácios imperiais.
E dos vales
De Diamantina o tesouro maior
da terra-brasilis
Enchia de valor o brasão Lusitano.
Sou Mineiro, sou provinciano...
"Sou orgulhoso e de ferro!"
Sou daqui e tenho identidade
Com este chão
Não me arrasto soberbamente
Crendo-me cosmopolita
Que nunca fui
Nem regurgitando desaforos
Aos sete ventos.
Sábado, 4 de Julho de 2009
Não há o que dizer!
Não vou dizer os sentimentos de meu coração para não lhe deixar em desespero. Nem vou revelar os segredos de minha alma para não escandalizar o mundo. Estão todos a me observar; sabem o que tenho nas mãos, mas não conhecem meu peito. Sabem a história que carrego, mas não conhecem o mínimo de minha luta interior. Ah! Não quero falar de mim; nem de minhas mãos macias como seda, nem de meu trabalho complicado, nem das verdades que sempre escondo. Ah! Não vou falar das dores do mundo, nem de nenhum coração aflito; não vou dizer mitos nem revelar heróis. Porque já não há o que dizer. Poderia gloriar-me de Ter um belo Dom; poderia cantar meus encantos pela natureza que nos traz surpresas dia a dia, mas eu não vou fazer nada disso. Só preciso de um tempo; um tempo comigo mesmo em silêncio num quarto vazio, como há muito tempo não fico. Ouvir o ruído da chuva. Sentir este silêncio que devora minha alma, o homem e o Amor que há em mim. Ah! Há sim... Algo que poderia revelar. Há um nome de mulher, há um sorriso, mas todo mundo já sabe; eu, porém, prefiro o que meu coração me guarda. Poderia escolher uma cor que representasse meus sonhos; poderia fazer tanta coisa e de várias formas, no entanto, o que me resta é esta solidão inútil que devora meus dias. Eu e meu pensamento impetuoso; eu e minha saudade devoradora. Eu e estas palavras que se eternizam nestas pautas. E o peito explode; e os lábios tremem em um choro convulsivo de criança. E esta criança que insiste em devorar este menino-homem, este homem-menino que vive a procurar seu caminho. Ah! Há um tempo... Um tempo com escassez de sonhos; ou vários sonhos com escassez de tempo para realizá-los. Vou... Vou embora para não chorar, pois ninguém admite minhas lágrimas! Porque o mundo é moldado à mercê de convenções sociais e valores que escravizam e que jamais quis conhecer. Agora, sou mais um contrariando os sonhos, fazendo tudo para quem pisa em minha cabeça. Mas vou sem dor. Vou sem mágoa. Só quero água para poder matar minha sede, e a certeza de um coração em quem confiar!
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Flávio Otávio Ferreira
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16:23
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Juras de Amor
Nas incertas linhas da vida Levo-te ao altar de velas Fazemo-nos juras de amor eterno! Despojo-me da rudez de homem Juro-te ser fiel a cada hora, Faço votos e juramentos
Encontro encantos nunca vistos
E me revisto de tão belo
Sentimento resguardado
À espera de um encontro
Inusitado...
E festas, e flores
E véus, e grinaldas
E céus...
Um céu inteiro;
Seu e meu...
Um céu completo
Repleto de estrelas e sonhos...
Corôo-te rainha,
Dás-me a brandura de teu olhar!
Recebo-te por mulher
E luz de meus passos!
E a aceito sublimemente
Com teus encantos
Com teus defeitos
Com teus desejos...
Buscando sempre amar-te a cada dia
Sem a desilusão de perder-te
Ou deixar perder
O sentimento que hoje me devora...
Tendo DEUS por testemunha
De minhas boas intenções
E prometo a cada dia,
A cada raiar de sol
Dedicar-lhe amor absoluto,
Tendo em ti, meu encanto em viver!
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Flávio Otávio Ferreira
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15:40
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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Deixa estar
Deixa estar.
Todo vendaval passa.
O que me cabe agora é o silêncio.
Serenar os ânimos,
Aplacar o desconforto,
Desvencilhar-me do infortúnio.
Deixa estar.
A vida é um vento impetuoso.
Nesta hora me cabe a dor da espera.
Os desejos amenizados,
a pálida aurora de meus sonhos
resguardada dos desencantos.
Deixa estar.
Sóbrio e em silêncio contemplo.
O crepúsculo rasga a manhã
Dizendo-me baixinho
Que viver vale a pena.
Resignado, aceito seus sussurros.
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Flávio Otávio Ferreira
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20:15
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Domingo, 31 de Maio de 2009
Deveras, ainda vivo em sonho.
No peito entreaberto
Mal cabe o coração palpitante.
A alma, em frangalhos,
Se vê partida por mil adagas
E, em desespero,
choro em um quarto escuro.
Pobre poeta!
Por que te envenenas em versos?
Quais os objetos de suas conjecturas?
Que olhos? Que boca? Que sorrisos?
Há na distância das noites estelares
O brilho que se apaga nas horas escuras?
Há na ausência que lhe move
O tato a tocar de leve em nuvens?
Pobre poeta!
Por que não mergulhas no Ganges,
No Sena, no Reno, no Tietê, no Piracicaba?
Se joga do alto da ponte
Submerge nas águas turvas
E some, consome esses versos
Leva embora estes sonhos que te sufocam.
Por que se perder em amores vãos
Se tens mais a viver para ti?
Exorciza em teu pobre peito
O que o tempo, inexpressivo,
Não pode apagar.
Arranca-lhe o coração
E joga às aves de rapina
Que te espreitam ao longe.
Pobre poeta!
Escolhestes o lado errado da estrada!
Escolhestes o pior dos desertos!
Enquanto buscares na poesia o teu consolo
Terás apenas o desfavor dos versos
Que se amontoam em escombros.
Ruínas que se erguem vertiginosamente
Em teu peito enfurecido.
Logrará, contigo, pobre destino
E, talvez, um dia, tuas próprias mãos
Consigam limpar o sangue
Que jorra em torrentes
Nestas pautas encardidas.
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Flávio Otávio Ferreira
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14:35
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Quinta-feira, 30 de Abril de 2009
Pré-Visão Atormentada
Por que inventar razões para sofrer
Se nascer já é dolorido?
Ah... viver! Mundo incompreendido...
O tempo passa, caem os dentes,
Vem a idade, a calvície,
As rugas, os poucos cabelos, brancos...
Fugaz...
Tudo torna o hoje tão fugaz;
Um tempo desnecessário
Que nos faz viver aprisionados...
Amanhã a rua estará vazia
Pois é feriado nacional
E todos querem sossego!
E, eu aqui preocupado
Com os sisos que terei de extrair...
Pobre de mim, pobres dos homens!
Queria poder Ter certeza do amanhã;
Mas agora só posso dizer talvez...
Faço muitos planos,
No entanto,
Ai meu DEUS nem sei...
Recebi um balde de água fria,
Estou sempre descuidado de mim
E uns quilos acima do peso...
Estou ficando obeso
E indefeso de mim mesmo...
Ah... as noites se esticam
Até o meio dia,
Enquanto o dia
Vai noite adentro...
Não controlo minhas mãos,
Nem meus pensamentos...
Arrasto um bonde
Por muitas de minhas amigas,
Porém vivo sozinho
Na solidão de mim mesmo...
O mundo nem nota a tristeza,
E a garrafa de vinho
Não sustenta-me o vício;
Precipito-me nas doses de rum
Que corroem-me a alma...
Imaginar a solidão me apavora,
A morte me enlouquece
E o futuro nem sei...
Estou aceso como vela
A desgastar a cada dia...
Estou vidrado no que deveria esquecer...
Me apaixonei por quem não deveria;
E quem inventou tais convenções?
Quem me proíbe amar
Um amor tão puro, tão sublime...
Teu nome grita em meu ouvido
E eu imagino
Meus dentes caídos,
Meus cabelos esquecidos,
Meu corpo indefinido,
E este amor perdido
Na distância de meus olhos...
Olho e posso ver...
Nas horas que se perdem
Nos encontros em que me calo
E deixo a alma vagar...
Ah... Ela foge,
Vai longe, onde minhas mãos?
Ah... elas se escondem,
E meu orgulho me engole,
Todos me olham
E reprovam minhas atitudes...
Estou longe e sem destino...
Talvez sem dentes,
Sem cabelos
E fora do peso...
Mas ainda estou...
A morte ainda não veio
Como herança...
E a esperança...Ah...
É a última que morre!
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Flávio Otávio Ferreira
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17:31
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Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Desfragmentando Ilusões
Jairo Ribeiro, Eduardo Jacó, Ricardo Lima, Cléber Nunes, Flávio Otávio, Cássio Amaral e L.Rafael Nolli
Flávio Otávio recebendo o livro das mãos do autor Cléber Nunes
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Flávio Otávio Ferreira
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13:47
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009
Ínfimo Devaneio Matrix
No dia 04 de abril, Cássio Amaral realizou o lançamento do seu mais novo livro de poesias.
Sonnen desvela toda a expressividade do poeta em um conjunto de haicais e outros poemas!

Cássio Amaral apresentando seu mais novo livro de poesias: "Sonnen"
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Um abraço camisa de força,
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Flávio Otávio Ferreira
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12:57
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