Liberdade?
Não... eu não sou livre.
Mesmo que eu me desprenda
Das coisas supérfluas,
Mesmo que tenha coragem
De expressar meus pensamentos
E sentimentos por estas linhas.
Jamais serei livre!
E quem é livre?
Vivemos sob aparências,
Ignotas aparências
Que revelam apenas
A imperfeição
Em que vivemos.
Fazemos tudo o que nos é conveniente.
Mas, não existe homem livre.
Estamos constantemente aprisionados
Em gaiolas imaginárias.
Sempre existirá algo a roubar
Nosso tempo, nossa juventude,
Nossos sonhos e ideais.
E realizemos tudo que planejamos
Sempre haverá um entrave
A digladiar nosso íntimo.
Liberdade... liberdade...
Diga-me senhor, o que é?
É pensamento,
Sentimento ou algo parecido?
Vivemos numa escola que nos ensina
Em uma didática contraditória;
Ensina-nos a mendigar pelo que seremos.
Ensina-nos a acovardar diante dos sonhos.
Ensina-nos a prostituir, pois vendemos
Nossos ideais em troca de algum trocado
Que encherá nossas vidas medíocres
De um conforto vulnerável
Que se extinguirá com o tempo.
Vai-se a beleza de nossos corpos,
E nosso pensamento revolucionário
Caduca por não ser alimentado
De forma adequada.
Acostumamo-nos tanto com a vontade de possuir
Que esquecemo-nos
De nossa liberdade de escolha;
Aprisionamo-nos tanto
Ao que diz esta sociedade consumista;
Que nos suga a todo o momento
O pouco que absorvemos pelo trabalho.
E, ainda me julgo livre.
Que liberdade?
Se não tenho disposição para caminhar
Pois prefiro ir à padaria em meu novo carro.
Se não sei mais como é o céu
Em noites estreladas
Porque estou muito cansado
Para deitar-me ao chão e apreciar
As estrelas que cintilam na imensidão.
Que liberdade tenho?
Se sou incapaz de parar para cheirar
Uma rosa, ou mesmo sorrir
Admirado com o bebê que me olha
Em sua curiosidade infante
Por estar com pressa demais
Para o trabalho exaustivo
Que me abala os nervos
E tira-me toda a paciência
De ser feliz, de ser mais humano.
Permitido ao erro,
Se devo seguir as regras
E os padrões prescritos
Por alguém que se julga mais sábio,
Mais senhor das coisas?
Faço sim minhas escolhas;
Mas sempre pensando
Em não dar um passo pra trás.
Em não voltar ao ponto zero.
Sim... estou preso.
Preso por vontade própria;
Mas uma vontade própria
Que não é livre.
Vontade própria tal
Que está submetida a pensamentos
Opressores e preconceituosos
Em relação ao que é o homem
E seu trabalho.
Estou aprisionado
Em convicções religiosas,
Sociais, políticas
E inerentes ao próprio homem.
15 de janeiro de 2006

